domingo, 6 de abril de 2008

Os Plátanos na Rotunda

Domingo solarengo, partimos em direcção a Parada de Cunhos, Vila Real, em busca de dois plátanos centenários. Demos de frente com eles, na rotunda de acesso ao IP4.

São dois exemplares magníficos, salvos da motosserra pelo zelo do Presidente da Junta de Parada de Cunhos, que rapidamente os propôs a Árvores de Interesse Público, aquando da construção da dita rotunda.

Estão em bom estado de conservação, pese embora os múltiplos sinais de vandalismo no tronco, nomeadamente pregos e agrafos, claramente usados para afixar cartazes.

Somos da opinião que deve ser colocada uma placa identificativa da classificação dos Plátanos e deve ser vigiada a afixação de cartazes. Pensamos que a placa pode ajudar a prevenir os actos de vandalismo, atraindo a atenção do público; essa publicidade garante, em certa medida, a protecção das árvores.



Espécie: Platanus acerifolia

Classificados em: 9 de Agosto de 2001

Idade estimada:
100-150 anos

Dimensões:

Árvore 1 [Sul]:
PAP: 3,30 m DAP: 1,05 m
Altura: 35,10 m
Diâmetro de copa: 24,20 m

Árvore 2
[Norte]:
PAP: 4,00 m DAP: 1,27 m
Altura: 33,20 m
Diâmetro de copa: 24,90 m

Condicionantes ambientais:
A grande limitação das árvores é a proximidade da estrada e a compactação que daí advém. A caldeira tem um tamanho adequado. A Classe de Estrago [Reg. Europeu 1696/87] foi de 1 [numa escala de 0-4, onde 0 representa uma árvore sã e 4 representa uma árvore morta], indicando a boa condição sanitária dos Plátanos. Têm alguns sinais de vandalismo, nomeadamente pregos e agrafos no tronco.

Intervenção recomendada: A colocação da placa identificativa é uma prioridade.




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sábado, 5 de abril de 2008

O Pinheiro-manso de Benagouro

Mesmo colado à Estrada Nacional 2, entre Vila Real e Vila Pouca de Aguiar, na aldeia de Benagouro, é impossível não reparar no gigante que se levanta na paisagem algo desoladora de matagal, fruto inequívoco dos incêndios de 2003 e 2005.


Já quatro curvas antes se vislumbrava a silhueta deste Pinus pinea, mas só ao chegar mesmo junto dele nos apercebemos da praga que o assolava: vários ninhos de processionária (Thaumetopoea pytiocampa) ou côxo como é conhecido por estas bandas o insecto lepidóptero, lagarta-do-pinheiro.

Situado mesmo junto a uma Escola Primária, esta infestação pode tornar-se um problema de saúde pública, devendo ser vigiada a descida das lagartas.


Espécie: Pinus pinea L.

Classificada em: 29 de Janeiro de 2001

Idade estimada: 300 anos

Dimensões:
PAP: 4,00 m DAP: 1,27 m
Altura: 26,80 m
Diâmetro de copa: 22,20 m

Condicionantes ambientais:
Compactação do solo, fica situado mesmo à beira de uma estrada com tráfego rodoviário muito intenso. Há cerca de 8 anos removeram uma quantidade apreciável de solo, aquando da construção de uma habitação vizinha. Foi submetida a uma poda da responsabilidade da DGRF há 3 anos, a copa ficou algo desequilibrada. Foi colocado um poste da rede eléctrica mesmo colado à árvore, obrigando ao corte de uma pernada que entretanto crescia contra o poste. Está bastante afectada com vários ninhos de Thaumetopoea pytiocampa. A Classe de Estrago [Reg. Europeu1696/87] é de 2 .[numa escala de 0-4, onde 0 representa uma árvore sã e 4 representa uma árvore morta].

Intervenção recomendada:
Vigiar a descida das lagartas e aplicar insecticida na procissão. Instalar placa identificativa da árvore com as dimensões e a data da classificação.





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O Castanheiro do lado

Mesmo ao lado do anterior, estava um outro exemplar da espécie, mas este encontrava-se ainda vivo, se bem que bastante maltratado.

Foi sujeito a uma intervenção há cerca de 15 anos, no sentido de tapar as grandes cavidades que entretanto se formaram no tronco e nos ramos principais. Se, em teoria, não haveria nada de errado com isso, o que acabou por ser feito desafia qualquer bom-senso.

As cavidades foram cobertas com... isso mesmo, já estão a adivinhar... cimento!!! (Não estivéssemos nós num país de empreiteiros...). Esta "solução" acabou por ter piores consequências do que as cavidades.

Em árvores desta idade e dimensões, a melhor intervenção é não intervir, deixar a árvore fazer o que sabe fazer melhor, tratar de si própria. A tentativa de cobrir os buracos acaba por "enganar" a árvore, que deixa de reagir como seria conveniente, e favorece a criação de microclimas e o desenvolvimento de fungos, bactérias e insectos.

Espécie: Castanea sativa M.

Classificada em: árvore por classificar

Idade estimada:
500-600 anos

Dimensões:

PAP: 7,60 m || DAP: 2,42 m
Altura: 12,00 m
Diâmetro de copa: 11,50 m

Condicionantes ambientais: A grande limitação desta árvore é efectivamente o cimento nas cavidades, aliado à idade avançada (estimada em 500 anos). A área de projecção de copa é uma superfície ajardinada, seguida por pavimento em calçada, o que é bastante menos prejudicial em termos de compactação para as raízes do que o asfalto ou cimento. A Classe de Estrago [Reg. Europeu 1696/87] foi de 3 [numa escala de 0-4, onde 0 representa uma árvore sã e 4 representa uma árvore morta].

Intervenções recomendadas: Quanto ao cimento, consideramos que o melhor a fazer é deixar ficar, receando que qualquer intervenção possa ser ainda mais prejudicial. Aconselhamos a colocação de uma placa identificativa da árvore, com as dimensões e a data de classificação de Árvore de Interesse Público.


O Castanheiro disfarçado

De Castro Daire seguimos para norte, em direcção a Lamego, onde também procurávamos duas árvores (igualmente uma viva e uma morta).

Não tivemos que escolher qual iríamos ver primeiro, pois estes castanheiros são vizinhos. Mas o que encontrámos foi mais do que esperávamos. Ao fundo de uma alameda, no topo da Santuário da Sr.ª dos Remédios, ladeando o Hotel, lá estavam os dois exemplares.

Mas, enquanto um era claramente um castanheiro, ainda desnudo de folhas (como seria de esperar), o outro apresentava uma copa frondosa, em nada semelhante à copa de um castanheiro. Ao aproximarmo-nos verificámos o impensável: a copa não era da árvore, o castanheiro já estava morto havia mais de 15 anos; a copa era de uma trepadeira que tão oportunamente colonizou os ramos mortos da árvore!!!
Esta hera disfarçada de castanheiro enganou vários transeuntes que efectivamente pensavam tratar-se de uma qualquer outra árvore.


Espécie: Castanea sativa M.

Classificada em: 12 de Fevereiro de 1940

Idade estimada: 700-800 anos

Dimensões:

PAP: 9,25 m || DAP: 2,94 m

Condicionantes ambientais: A árvore está completamente invadida por uma trepadeira do género Ligustrum, sendo a opinião das autoridades autárquicas que essa foi a derradeira causa da morte. Consideramos, no entanto, que não deve ser removida, o enquadramento estético desta árvore deve ser valorizado. No entanto, atendendo ao elevado grau de degradação lenhosa e ao facto de se localizar numa zona de grande circulação de pessoas, deveriam ser adoptadas algumas medidas de segurança, nomeadamente a protecção do cepo com um cabo de aço. Esta medida, com poucos impactos visuais e mínimo investimento, pode resolver o problema da segurança e permitir a permanência da árvore por longos anos.




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