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quinta-feira, 17 de julho de 2008

Os Carvalhos de Gogim

Mesmo à entrada de Gogim, Armamar, encontrámos dois velhos Carvalhos, de silhueta visível a longa distância. Logo deu para perceber que as árvores tinham menos copa do que o esperado, escassa e com muitos ramos secos.

Estão situados num pomar de macieiras instalado há três anos; os trabalhos de mobilização do solo podem ter provocado danos no sistema radicular das árvores.


Espécie: Quercus robur

Idade estimada:
200 anos

Dimensões:
Árvore 1 [Nascente]:
PAP: 350 cm DAP: 111 cm
Altura: 20,7 m
Diâmetro de copa: 16,50 m

Árvore 2 [Poente]:
PAP: 275 cm DAP: 88 cm
Altura: 21,3 m
Diâmetro de copa: 17,60 m


Condicionantes ambientais: A preparação do terreno pode ter danificado o sistema radicular, catalisando a situação de dieback em que se encontram as árvores. Presença de muitos ramos secos e partidos, tanto principais como secundários. A árvore Poente tem uma praga de afídeos.

Intervenções propostas: Aconselha-se a poda de ramos secos e partidos, mas faseada de modo a não diminuir drasticamente a carga e provocar desequilíbrios. Alguns tocos resultantes de podas anteriores deveriam ser podados mais rente. Recomenda-se a colocação de uma placa indicativa do estatuto de protecção e a sensibilização junto do proprietário para não mobilizar o solo numa área com raio pelo menos igual a quinze vezes o DAP (17 metros).




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Os Azevinhos de Leomil

Na Estrada Nacional 226, na entrada da propriedade do Sr. Joaquim Centeio, encontram-se dois Azevinhos de grande porte.

Um exemplar macho e outro fêmea, que se unem no topo para formar um belo arco em pórtico sobre o portão que dá acesso à casa.

O Azevinho macho está em decrepitude, estando a copa reduzida a apenas um terço do que seria esperado.


Espécie: Ilex aquifolium

Idade estimada: 100-150 anos

Dimensões:
Árvore 1 [Fêmea]:
PAP: 190 cm DAP: 60 cm
Altura: 9,8 m
Diâmetro de copa: 4,90 m

Árvore 2 [Macho]:
PAP: 165 cm DAP: 53 cm
Altura: 9,0 m
Diâmetro de copa: 3,70 m


Condicionantes ambientais: Os Azevinhos encontram-se na entrada de uma propriedade, formando um arco com a sua copa. A árvore macho apresenta forte dieback, desde há cerca de 10 anos. Ambas estão bastante afectadas com uma praga de afídeos. Apresentam codominâncias com casca inclusa, com bastante exsudação. Têm alguma rebentação adventícia na base, efeito provável da compactação a que estão sujeitos os Azevinhos.

Intervenções propostas: Aconselha-se o tratamento com pirimicarbe, para controlar a praga de afídeos; a lavagem com água e sabão também tem efeitos benéficos nestes casos, diminuindo o número de indivíduos por arrastamento. Recomenda-se a colocação de placa indicativa do estatuto de protecção.




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sábado, 5 de julho de 2008

Os Teixos do Jardim do Cabo

Em pleno Douro Património Mundial, no centro de São João da Pesqueira, no Jardim contíguo ao Palácio da Justiça, encontram-se (quase) disfarçados dois Teixos centenários, de largas dimensões e frondosa sombra.

Apesar de bastante maltratados com actos de vandalismo (até fogo na base!), são dois belíssimos exemplares. Ramos cruzados, entrecruzados e descruzados, arcaicos e longínquos, juntam-se para criar uma única copa de quase 25m de diâmetro.


Espécie: Taxus baccata

Idade estimada: 200-300 anos

Dimensões:
Árvore 1 [Norte]:
PAP: 4,10 m DAP: DAP: 1,30 m
Altura: 8,9 m
Diâmetro de copa: 13,90 m

Árvore 2 [Sul]:
PAP: 2,70 m DAP: 0,86 m
Altura: 6,4 m
Diâmetro de copa: 10,70 m


Condicionantes ambientais: As árvores estão instaladas num Jardim Público, sem qualquer protecção ou indicação do estatuto de protecção. Esta situação propiciou os actos de vandalismo que os Teixos sofreram e que em muito os fragilizaram. A idade avançada é a maior limitação ao crescimento das árvores. A Classe de Estrago [Reg. Europeu 1696/87] foi de 2 [numa escala de 0-4, onde "0" representa uma árvore sã e "4" representa uma árvore morta], indicando uma condição sanitária débil, que pode agravar-se.

Intervenções propostas: A colocação de placa indicativa do estatuto de protecção poderá ajudar a prevenir actos de vandalismo.



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sábado, 5 de abril de 2008

O Castanheiro do lado

Mesmo ao lado do anterior, estava um outro exemplar da espécie, mas este encontrava-se ainda vivo, se bem que bastante maltratado.

Foi sujeito a uma intervenção há cerca de 15 anos, no sentido de tapar as grandes cavidades que entretanto se formaram no tronco e nos ramos principais. Se, em teoria, não haveria nada de errado com isso, o que acabou por ser feito desafia qualquer bom-senso.

As cavidades foram cobertas com... isso mesmo, já estão a adivinhar... cimento!!! (Não estivéssemos nós num país de empreiteiros...). Esta "solução" acabou por ter piores consequências do que as cavidades.

Em árvores desta idade e dimensões, a melhor intervenção é não intervir, deixar a árvore fazer o que sabe fazer melhor, tratar de si própria. A tentativa de cobrir os buracos acaba por "enganar" a árvore, que deixa de reagir como seria conveniente, e favorece a criação de microclimas e o desenvolvimento de fungos, bactérias e insectos.

Espécie: Castanea sativa M.

Classificada em: árvore por classificar

Idade estimada:
500-600 anos

Dimensões:

PAP: 7,60 m || DAP: 2,42 m
Altura: 12,00 m
Diâmetro de copa: 11,50 m

Condicionantes ambientais: A grande limitação desta árvore é efectivamente o cimento nas cavidades, aliado à idade avançada (estimada em 500 anos). A área de projecção de copa é uma superfície ajardinada, seguida por pavimento em calçada, o que é bastante menos prejudicial em termos de compactação para as raízes do que o asfalto ou cimento. A Classe de Estrago [Reg. Europeu 1696/87] foi de 3 [numa escala de 0-4, onde 0 representa uma árvore sã e 4 representa uma árvore morta].

Intervenções recomendadas: Quanto ao cimento, consideramos que o melhor a fazer é deixar ficar, receando que qualquer intervenção possa ser ainda mais prejudicial. Aconselhamos a colocação de uma placa identificativa da árvore, com as dimensões e a data de classificação de Árvore de Interesse Público.


O Castanheiro disfarçado

De Castro Daire seguimos para norte, em direcção a Lamego, onde também procurávamos duas árvores (igualmente uma viva e uma morta).

Não tivemos que escolher qual iríamos ver primeiro, pois estes castanheiros são vizinhos. Mas o que encontrámos foi mais do que esperávamos. Ao fundo de uma alameda, no topo da Santuário da Sr.ª dos Remédios, ladeando o Hotel, lá estavam os dois exemplares.

Mas, enquanto um era claramente um castanheiro, ainda desnudo de folhas (como seria de esperar), o outro apresentava uma copa frondosa, em nada semelhante à copa de um castanheiro. Ao aproximarmo-nos verificámos o impensável: a copa não era da árvore, o castanheiro já estava morto havia mais de 15 anos; a copa era de uma trepadeira que tão oportunamente colonizou os ramos mortos da árvore!!!
Esta hera disfarçada de castanheiro enganou vários transeuntes que efectivamente pensavam tratar-se de uma qualquer outra árvore.


Espécie: Castanea sativa M.

Classificada em: 12 de Fevereiro de 1940

Idade estimada: 700-800 anos

Dimensões:

PAP: 9,25 m || DAP: 2,94 m

Condicionantes ambientais: A árvore está completamente invadida por uma trepadeira do género Ligustrum, sendo a opinião das autoridades autárquicas que essa foi a derradeira causa da morte. Consideramos, no entanto, que não deve ser removida, o enquadramento estético desta árvore deve ser valorizado. No entanto, atendendo ao elevado grau de degradação lenhosa e ao facto de se localizar numa zona de grande circulação de pessoas, deveriam ser adoptadas algumas medidas de segurança, nomeadamente a protecção do cepo com um cabo de aço. Esta medida, com poucos impactos visuais e mínimo investimento, pode resolver o problema da segurança e permitir a permanência da árvore por longos anos.




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O Carvalho Ancião

Foi bem mais difícil de encontrar que a Carvalha de Ribolhos. Fica junto à capela de Nª. Sª. do Presépio, em Mosteiro, Castro Daire. A dificuldade foi descobrir o caminho para a capela. Uma vez lá chegados, não havia como perdê-lo, aliás, perdê-los.

Sabíamos que procurávamos o carvalho mais antigo de Portugal e que já estava morto. O que não esperávamos era encontrar outro carvalho dentro dele!!! Quando o ancião morreu, as autoridades acharam (e muito bem!) que deveriam plantar um novo exemplar exactamente no mesmo sítio, em jeito de homenagem ao velho carvalho, e sem retirar a imensidão do cepo, que lá ficou a servir de protecção e a fornecer nutrientes ao jovenzinho.



Espécie: Quercus robur L

Classificada em: 2 de Março de 1942

Idade estimada: mais de 1000 anos

Dimensões:

PAP: 10,50 m DAP: 3,34 m

Condicionantes ambientais: O cepo da árvore está protegido com uma estrutura interna de suporte que consiste em 3 barras de metal, arranjadas de forma a suportar o peso do cepo e impedir que desabe para o interior; um cabo de aço no exterior sustem o cepo. Esta estrutura está bastante bem concebida, tem um impacto visual reduzido e permite a sustentação do cepo, perpetuando o valor da árvore que ali esteve e garantindo a segurança dos que ainda hoje a vão admirar.
A árvore, apesar de estar morta, merecia ter uma placa de identificação, a mencionar o facto de ter sido o carvalho mais antigo de Portugal, já na altura da sua classificação era considerado milenar.



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sexta-feira, 4 de abril de 2008

A Carvalha de Ribolhos

Na primeira verdadeira tarde primaveril, seguimos para sul, rumo a Castro Daire, em busca de 2 árvores (uma viva e outra morta). Obviamente, começámos pela viva.

Não foi difícil chegar a Ribolhos (com o primeiro "o" aberto) e muito mais fácil foi encontrar a Carvalha; quase que diria que foi ela que nos encontrou!

Magnífico exemplar, espraiava-se pelo largo da aldeia, pintalgado de folhas verdejantes. Um verdadeiro assombro, a "minha" primeira árvore e que bela!

Nem denunciava o peso da idade, quem a visse a sorrir à Primavera, lançando todos os rebentos na direcção do sol.


Espécie: Quercus robur L.

Classificada em: 27 de Outubro de 1964

Idade estimada: 300 anos

Dimensões:

PAP: 5,95 m DAP: 1,89 m
Altura: 23,50 m
Diâmetro de copa: 22,70 m

Condicionantes ambientais:
compactação do solo, fica no largo da aldeia, onde há circulação automóvel; apesar da caldeira ter um tamanho razoável, são de prever algumas complicações devidas à compactação. Também o "mulching" não é o mais adequado, casca de pinheiro, pode acidificar demasiado o solo, poderia ser substituído por ervado, ou pelo menos reduzir a quantidade de casca de pinheiro.

Sanidade:
árvore em pleno vigor; foi intervencionada o ano passado, cortaram alguns ramos, a árvore está a recuperar bem; recomenda-se o acompanhamento da recuperação [tentando evitar o que aconteceu com o Carvalho de Calvos, que recuperou muito bem nos 2 primeiros anos pós-intervenção, mas acabou por sucumbir ao terceiro ano].



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